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Brazil 135 - A maior ultra maratona do Brasil

Anônimo, Manoelzinho, Anônimo, Mário (diretor da prova), Rita Jacob, Henrique Jacob

Após postar várias vezes no meu blog sobre ultra maratonas, fui me tornando amigo de alguns atletas e leitores deste blog, até que surgiu o convite de um deles, o Henrique Jacob, para que eu participasse de sua equipe de apoio. Seria a primeira ultra maratona que eu teria uma participação ativa, mesmo que não como atleta.

Nunca nos falamos por telefone e tudo foi combinado via e-mail, ponto de encontro Hotel do SESC em Poços de Caldas - MG. Por surpresa, chegamos todos ao mesmo tempo no Hotel e tive o prazer de conhecer além do simpático Henrique, a mãe mais coruja do mundo Rita, e o hilário ultra maratonista Manoelzinho, a apresentação já indicava que qualquer que fosse o percurso, seria muito divertido.

Primeira horas de hotel, fomos encontrando os outros atletas e organizadores, a sensação foi de uma grande família, como o mundo das ultramaratonas é bastante marginal, são poucos os que se aventuram, assim todos se conhecem. A falta de grandes prêmios na modalidade faz com que o esporte fique ainda mais restrito aos que querem competir apenas pelo prazer da corrida, ou uma medalha pendurada no peito.

Apresentação dos Atletas

Após a apresentação oficial dos atletas, vários deles internacionais, era notório que a prova era feita na base do amor, os organizadores se desdobravam com a falta de recursos e voluntários na corrida. Como era apoio, traduzi durante horas para vários atletas internacionais os complicados mapas (pelo menos no papel) e explicações que o diretor da prova havia dado. Para mim, a prova havia começado ali.

A linha de trens do futuro
Após todas as explicações fomos conhecer um pouco da belíssima Poços de Caldas, comemos uma ótima pizza (alias, comemos bem em toda Minas Gerais), e vimos algo hilários, vários trechos de uma linha férrea suspensa, com o trem estacionado. Essas linhas tinham apenas 200m de extensão e nunca foram completadas. Havia sido promessa de um prefeito que comeu todo o dinheiro, portanto moderníssimos trens que nunca andaram com linhas de 200m eram espalhados por toda a cidade, eu chorava de rir.

Largada da Br135

Dia seguinte foi engraçado ir para a largada, pegamos a BR e de repente paramos do lado de uma mata, estávamos no lugar “como assim a largada vai ser aqui?”.  E na entrada daquela bela floresta todos começaram a se alinhar, e após o hino do Brasil e algumas palavras que não consegui ouvir, foi dada a largada, alguns saíram voando, outros trotando, outros andando… Pelos próximos 217km essa prova seria pessoal para cada um deles.

Momento de emoção, Henrique medita

Começo da prova tudo são flores, todas as estratégias conseguem ser cumpridas, as pessoas ainda conseguem raciocinar, algo que iria mudar em 24h pela privação de sono, alimentação e extenuação física. O trajeto era e foi durante todo o percurso espetacular, com várias cachoeiras, uma mata deslumbrante e uma população simpaticíssima. Fomos praticamente juntos durante todo o trecho até o famoso Pico do Gavião de 1663m de altitude, a partir dali tudo ia mudar. Para nosso corredor era um lugar muito importante, afinal foi onde ele havia perdido o pai, outro atleta de esportes radicais que praticava asa deltas naquele pico. Abandonando sua estratégia, Henrique colocou “a faca no dente” e atacou o pico furiosamente, subiu a plenos pulmões como se fosse ali a sua prova, chegou lá em cima, se sentou e meditou muito, era hora de ele ficar sozinho, registrei o momento e me afastei. Aquela luta com o pico viria a cobrar em seu corpo um valor muito alto durante todo o resto da prova.

O desgaste aparente durante todo o percurso

Saindo do Pico, começamos a encontrar alguns atletas bastante surrados e precisando de apoio, nossa picape era grande e tinha alimento suficiente para alimentar um exército durante todo o ano, grande parte disso devido ao acompanhamento dos nutricionistas de Henrique, mas tenho certeza que também pela mãezona que não deixaria nada faltar durante a corrida. Ajudamos muitos corredores pois nem todas as equipes tinham um carro tão potente quanto o nosso, e por isso vários atletas ficaram sem apoio por distancias longas demais, sem água ou alimentação, todos eles atletas que nunca haviam corrido aquela prova e por isso não sabiam dos acasos do terreno. Foi ótimo para fazer alguns amigos e movimentar o corpo que por horas ficava por horas esperando nosso corredor.

Manoelzinho se hidrata, as veias em suas pernas pulam
Volta e meia encontrávamos o diretor da prova, Mário Lacerda. Sempre sorrido muito e sem nenhum sinal de cansaço, era tão engraçado ver aquilo que o apelidei mentalmente de Gato de Chelshire (o estranhamente sempre risonho gato de Alice no Pais das Maravilhas), pois volta e meia surgia ele do nada, sorrindo e perguntando se estava tudo bem.

Henrique com hipotermia sendo acompanhado de perto por um cachorro

Pegamos outro pico durante a madrugada, muito gelado, o que para os corredores com baixa porcentagem de gordura pode significar o término da prova, tanto que encontramos o nosso corredor em estado inicial de hipotermia e decidimos fazer uma pausa no ponto de apoio. Vários corredores se amontoaram por lá com fadiga geral, uma grande macarronada fornecida pela prova salvou muita gente. De repente chega um corredor que havia vomitado e desmaiado no pico, deitado por algumas horas, acordou, comeu o macarrão, voltou correndo para onde haviam pegado ele e continuou a prova normalmente.

Equipe de apoio derrubada

Cansados partimos novamente, a essa hora a equipe já estava mais ou menos cansada, com 1h de sono, sem banho e tomando decisões. As dores atormentavam os atletas, então decidi amarrar o tênis e acompanhar o nosso corredor, falando de coisas boas tentava desviar sua atenção, mas as pernas cansadas e virilhas machucadas sempre o lembravam de que ainda faltavam mais 100km pela frente.

Eu correndo com água para os corredores

Ser equipe de apoio é engraçado,  pois todos tem que segurar não só o próprio mental, como o de seus companheiros e corredores. Todos cansados, com excesso de cafeina, falta de sono, dores, acabam acontecendo situações chatas para todos e manter o bom humor é imprescindível. Apesar de algumas birras tolas a equipe se manteve bem em mais um dia inteiro de porrada na estrada, dessa vez com chuva.

Só a massagem salva

De todas as pequenas cidades que passamos por todo o percurso, a mais curiosa era uma que tinha uma igreja enorme, e três casinhas super modestas em volta. Vários pontos de apoio, várias massagens, várias refeições rápidas e de volta a estrada.

Um dos postos de apoio e a milagrosa macarronada

Faltavam apenas 30km para chegar ao destino final, o nosso corredor já estava fora de si mentalmente sem saber se conseguiria terminar a prova. Fizemos uma troca de tenis para outro mais seco, no meio da troca ele saiu descalço por vários metros. A equipe decidiu sumir com o carro de apoio e eu o acompanharia a pé neste final de prova, sendo assim ele não teria como desistir (na verdade teria), tendo assim que continuar. Ninguém chega aquela parte da corrida com o corpo inteiro, se ele estava ali era por muita coragem porque cada músculo e ossos estavam moídos aquela altura, cada passo ia ser uma porrada. Acho que ele não ouvia mais nada do que eu dizia para encoraja-lo então a estratégia foi mais Capitão Nascimento, gritando coisas de pelotão de exército como “Vamos caralho, quero ver se é guerreiro”, e outras bobagens assim, não sei se foi por isso ou pelos comprimidos de cafeína que tomou (acho mais provável), ele parou um pouco e soltou um “vamos terminar essa porra”. Ressurgiu das cinzas completamente e pois-se em movimento, desta vez firme novamente. Encontramos uma amizade que fizemos durante a prova, o corredor carioca Henrique, acompanhei ambos por mais alguns quilômetros e me mandei, ele ia terminar a prova de todo jeito.

A inatingível linha de chegada

Segui direto para a linha de chegada, os que completavam a prova traziam estampados em seu rosto os últimos 217km de desgaste físico e psicológico se diluindo em um sorriso enorme. Mas ali, eu já sabia a muito tempo que no ano seguinte seria a minha vez.

Caso queiram ver mais fotos da corrida, cliquem aqui.

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  • 2 years ago
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Treino em Aldeia - 13km

ste sábado eu tive que adiantar o meu longão para participar do treino de 13km realizado em Aldeia. O percurso tinha a largada e chegada no Hotel Campestre de Aldeia partindo as 6h da manhã, isso significava que eu tinha que acordar as 5h da matina e sair correndo feito um louco para la. Só tinha viciado em corrida e alguns hóspedes incrédulos a nos observar enquanto alongávamos. Clima ameno, muitas árvores, largamos com dois carros de apoio nos seguindo.


Apesar de muito bom o percurso era em sua grande maioria em estrada estadual com trechos de quase nenhum acostamento, a esta hora ela não é muito movimentada mas deu para levar sustos de alguns ônibus que passavam, nada de grave já que os carros de apoio faziam uma barreira. A certa altura do percurso um senhor argentino que não participava do grupo colou do meu lado e falou por horas, o cara era pareceido com o papai noel e depois de muita conversa mole deu um riso e pegou outro caminho, espero que meu presente seja bom este ano.

 
Também fiz mais uma amisade durante a corrida, uma garota super simpática que contou que o segredo do sucesso de seu casamento eram as corridas, ambos corriam e se conheceram em uma corrida a 10 anos atrás, ele passou por ela durante uma prova, deu meia volta e colou do lado para conversar, depois de um mês se casaram. É engraçado como as mulheres costumam falar mais durante as provas, acho que os homens querem sempre competir e acabam deixando de aproveitar mais o percurso. Durante toda a conversa eu acho que só respondi sim e não, mais pela minha falta de gás que qualquer outra coisa.

Na volta ao Hotel Campestre de Aldeia os corredores foram direto para a piscina, o hotel também oferecia um super café da manhã por R$12,00. Este treino acontece no primeiro sábado de cada mês, com certeza irei a todos.


Exibir mapa ampliado

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  • 3 years ago
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IX Cicorre Várzea - Eu Fui


Este domingo foi realizada a IX etapa do Cicorre, que são as corridas mensais organizadas pelo Corre - Grupo de Corredores do Recife. São eles que salvam grande parte dos inúmeros finais de semana sem corrida aqui na cidade. O pessoal é simpático, a inscrição é barata, com direito a água, frutas e medalha, a organização sofre um pouco por ser feita mais pela boa vontade que por profissionalismo, mas o clima compensa tudo. Jeitão de reunião de amigos e para fazer amigos, penso em me associar só para ajudar ainda mais o pessoal.

O roteiro escolhido foi o bairro da Várzea, que apesar de muito feio conta com um longo trecho de mata atlântica até o belo museu e ateliê do excelente artista plástico Francisco Brennand. A largada foi um pouco engraçada, estamos nos dirigindo para o local e de repente todos começam a correr (e eu a rir), éramos 2 corredores e dois nas bicicletas levando água (eu não sabia se ia ter água durante o percurso). A parte feira da várzea é realmente muito feia e quente, mas ao entrar no trecho de mata a corrida fica belíssima e muito suave, o piso de barro batido não era tão duro quanto o asfalto nem tão mole como areia, ótimo de se correr.

 
Estrada da oficina de Brenand

Corri os primeiros quilômetros ao lado de uma amiga que faz um ritmo um pouco menor que o meu e depois fui correr a minha corrida, por pouco tempo, descobri que comer uma bandeja de sushi logo antes da corrida não é muito saudável para a digestão e passei muito mal, até sem energia. Tratei de tomar um Gel que ajudou muito e continuei a corrida mesmo assim, na metade do percurso o posto de hidratação não tinha água mas como eu estava com apoio (que salvou a corrida) não tive problemas, inclusive pudemos dar água para várias pessoas que realmente precisavam (não era o fim do mundo, mas ninguém queria correr a outra metade da prova de boca seca). Descobrimos que ser apoio é algo um pouco mais complicado do que imaginávamos, é muito importante poder ajudar sem mudar o ritmo do corredor, e estar preparado para diversos imprevistos, vamos treinar bastante, alias eu tenho que treinar bastante, em breve escrevo o porque. Acabei a corrida bem lentamente, apenas aproveitando o percurso.

 
Chegada

Na chegada todos animados e eu ganhei uma medalha de outra prova, já que foram muitos inscritos eles não tinham feito medalhas o suficiente, mas ficaram de trocar na próxima prova. Na chegada devolvi a minha numeração, pois eles vão usar na próxima prova novamente, todos animados, clima família, comendo frutas, tomando água de coco e ainda eram 9h da manhã, teríamos todo um domingo pela frente e já tínhamos feito tanto, correr é muito bom.



Exibir mapa ampliado


PS: Tirei todas as fotos e fiz o vídeo no meu novo celular, um Nókia 6120 Classic,  que ao que tudo indica irá me acompanhar em várias corridas, então peço desculpa pela qualidade das imagens.

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  • 3 years ago
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por Pedro Cavalcanti

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