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Virando um Ultra-Maratonista - Parte 2 de 2

Henrique Jacob

Aqui, segue a entrevista que eu fiz por e-mail com o Henrique Jacob.

- Como você foi atrás das informações para fazer ultra maratonismo?
Conheci a ultramaratona por acaso. Lendo o livro do Rodolfo Lucena “Maratonando” obtive informações de corridas com distâncias acima da maratona e aquilo me despertou uma enorme curiosidade. Comecei a pesquisar na internet e a conhecer um mundo totalmente diferente.

- Como você começou a treinar?
Um amigo me chamou para uma corrida de 10 km aqui em Brasília.Comecei a treinar para conseguir completar a prova. Gostei tanto de competir que resolvi continuar. A cada corrida queria baixar meu tempo, minha mãe sempre comparecia correndo ou tirando foto. Passava a semana esperando domingo de manhã cedo, em vez de sábado ou sexta à noite. Aí percebi que tinha me apaixonado de vez pelo esporte.

- Quais foram seus principais erros e acertos?
Correr minha 1ª maratona uma semana antes da minha 1ª corrida de 24 horas em pista. Isso com certeza afetou meu desempenho.
No começo eu treinava muito no asfalto e na calçada ocasionando canelites que atrapalhavam os treinos.
Usei um tênis errado pra correr achando que era bom. Tenho uma dor no pé até hoje por causa disso.
Na Badwater como surpresa levei máscaras e o boneco do homem-aranha, personagem que o filho do Manoelzinho adora. Sabia que no ponto mais quente, onde ele precisaria de muita força, seria seu maior incentivo. Ele carregou o boneco uns 150 km o tempo todo com ele até o final da prova.
Levei uma equipe de apoio na minha 1ª 24 horas para ajudar no objetivo de passar dos 100 km.
E Participar da Br135 a partir dali tudo começou.

Carro lotado para o apoio de em uma UltraMaratona

- Como fica a sua alimentação normal?
Minha alimentação eu mesmo faço. Procuro comer de uma forma saudável. Não fico grandes períodos sem me alimentar, evito muita gordura, fritura, açúcar e sal. Como muita salada, legume e fruta. Particularmente não gosto muito de doce então fica mais fácil. Tomo também alguns suplementos.


- Como você leva a sua vida social, bebida, fumo?
Eu procuro sair pra distrair um pouco e aliviar as pressões do dia a dia. Não fumo, não bebo e recomendo pra quem faz uso procurar um profissional qualificado e iniciar uma atividade física para ter uma melhor qualidade de vida.

- Como é a comunidade ultra maratonista do Brasil?
A comunidade ultra no Brasil vem crescendo e tem com principais pólos Rio de Janeiro e São Paulo, mas temos muitos praticantes em outros estados como: Distrito Federal, Bahia, Santa Catarina…

- Existem muitas provas de ultra maratonismo no Brasil?
Na minha opinião existem poucas competições. Temos por volta 10 ultras no máximo por ano no Brasil. Pelo potencial de corredores e lugares para correr poderia ter muito mais. A falta de apoio, divulgação e conhecimento sobre o esporte dificultam as coisas. Mas o esporte vem crescendo e conquistando muitos adeptos.

- Como você lida com a dor e cansaço?
O cansaço vem quando o corpo quer parar mais aí entra a mente. Ela comanda o corpo fazendo com que ele continue. Devido à ultramaratona ser um esporte onde você realiza coisas que não faz normalmente, quanto mais experiência você tem, melhor você consegue superar estas situações. O fato de o organismo já ter vivenciado estas horas de corrida fazem muita diferença. Eu lido bem com a dor, não me incomoda muito. Quando penso que estou fazendo o que gosto a dor diminui. Temos que aprender na ultra quando as coisas ficarem mal, superar a situação.

- Vários corredores tem mantras enquanto correm para tentar afastar a mente do corpo, você tem algum?
Eu pratico um tipo de meditação durante os treinamentos e antes da corrida. Aplico os conhecimentos que aprendi no curso: Método Silva de Controle Mental. E isso me ajuda em todos os aspectos da corrida e principalmente da minha vida.

Premiação na Ultramaratona Corrotodia 24H

- O que as outras pessoas acham de você por ser ultra maratonista?
Na maioria das vezes as pessoas demoram a entender. Algumas acham loucura outras ficam admiradas.
Para entender o que é fazer uma ultramaratona é preciso ver de perto para realmente acreditar. É muito emocionante, recomendo a todos que gostam de ver esporte, corrida, aventura e superação.


- Você tem algum ídolo no esporte?
Meu maior ídolo é Yiannis Kouros por tudo que ele representa, como corredor e pessoa. É o melhor ultramaratonista de todos os tempos. No Brasil Manoel Mendes e Valmir Nunes.

- Você tem algum problema crônico ou lesão? Como lida com ele?
Tenho sim, ela incomoda, mas não ao ponto de parar de correr. Mas quero ir ao médico para ver melhor.

- Como você encarou as frustrações durante os treinos e quais foram as maiores?
Encarei de forma positiva. Sabia que se aquilo me derrubasse, não ia conseguir meu objetivo então tentava tirar algo de bom para acrescentar. Minha maior frustração foi não estar bem para poder fazer na minha 1ª ultra. Sei que poderia correr muito mais.


- A ultra maratona mudou a forma de como você é com as outras pessoas?
Acho que mudou porque a partir do momento que rompi alguns limites e descobri que a força da mente pode fazer muita coisa. Você sabe que todos também podem romper barreiras, seja na vida, na corrida ou em qualquer área. Mas para isso precisamos querer de verdade, esperar que aconteça e acreditar.


- Como é a situação financeira do esporte, é caro?
Não é tão caro para treinar, mais devido as principais competições serem no exterior o custo aumenta. É preciso também ter bons equipamentos e acessórios. Assim evitam-se lesões e aumenta o tempo de vida no esporte. Já que temos corredores de 70 anos completando corridas acima de 200 km.


- Qual seu maior sonho como ultra maratonista.
Vou correr a Spartathlon.

Obrigado Henrique

    • #Corrida
  • 4 years ago
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por Pedro Cavalcanti

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