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II Corrida da Acorja - 10km

Havia treinado a semana inteira com meu amigo Alcides, eu já conseguira correr 5km em um tempo médio de 5:30min/km mas essa corrida era o dobro da distancia e eu ia ter que controlar o ritmo. Meus últimos 10km a 3 anos atrás foram ridículos, andei quase que metade do percurso e cada músculo de meu corpo doia no dia seguinte
Esta corrida eu estava decidido que não poderia andar um só momento. Fui dormir tarde, acordei super cedo meio entrevado mas cheguei a tempo, alias cheguei bem antes da largada já que os batedores da prefeitura do Recife atrasaram em 30min. De um lado meu amigo, grande corredor de esteiras, do outro como fiel escudeiro o meu pai me acompanhava bem de perto de bicicleta, tirando onda da minha cara em qualquer oportunidade. Começa a largada e todos disparam na minha frente ficamos eu meu amigo (que era quem estava segurando o ritmo graças a deus) e mais 30 corredores por ultimo, seguidos de perto pelo carro da polícia rodoviária e uma combi da organização que tocava repetidas vezes a trilha do filme “Carruagens de Fogo”, aquilo ali era mais massacrante que o sol na cabeça.

Primeiro km e o grupo lento ia tomando uma forma consistente, minha velocidade estava confortável conseguia conversar enquanto corria, até que passa um senhor correndo por nos, logo após um sujeito de bicicleta emparelha e fala:

- Ta vendo esse ai? É Irani, ele é corno, e gosta de dar o goba, tudo que restou para ele foi a corrida.

Pedalou mais um pouco e continuou seguindo o tal Irani. Ok não seria única situação surreal desta curta corrida. No nosso grupo tinham duas garotas simpáticas que se distanciavam e ficavam lentas novamente, todas as ruas interrompidas pelo pessoal do exército (obrigado galera) mas os postos dágua, acho que eles aqueciam a água no microondas antes de nos entregar, era beber e ficar com calor, mas valeu a empolgação por receber a água de uns escoteiros completamente fardados. justo quando eu chegava aos 3km ví o pelotão principal já voltando para a linha de chegada, quem se importa.

Lá pelo 5km ouço o coro: vovó, vovó, vovó…
Sabia que estava diante do monstro das corridas de Pernambuco. Vovó Carminha em pessoa, meu pai claro, começou a rir, afinal eu só estava conseguindo ultrapassa-la na metade da corrida. Ela começa a andar e eu vejo minha grande chance de uma ultrapassagem a toda, quando chego bem perto e levanto os braços em comemoração, ela começa a correr novamente , meu pai não se contem e solta um:

- Bora vovó… ( e dá um sorrizinho, mas recebe de volta um)
- Vai correr não coroa? (da-lhe vovó)

Esse 5km foi muito importante, ele marcou justamente o momento em que as pessoas que não mantiveram seu ritmo não aguentavam mais. Esta marca de ser metade da corrida devia afetar muito também, então começamos a ultrapassar várias pessoas andando ou correndo, continuava-mos no mesmo ritmo o que era bem tranqüilo, a água como sempre muito quente. No 6km encontramos dois corredores, um cego e outro maneta, os dois juntos por uma cordinha, meu pai olhou e brincou comigo algo do tipo, só agora vai passar eles? E eu fiz uma cara como: Não é massa que eles estejam correndo. Acho que meu pai entendendo completamente o espírito da coisa naquela hora, e km a km começou a me apoiar para que eu terminasse a prova.

Em algum momento do 8km quando fui beber água dei uns 3 ou 4 passos andando para conseguir engolir a água mas logo voltei a correr, justamente porque prometera não andar em nenhum momento. Mais a frente encontramos uma das duas garotas, ela já estava esgotada, ultrapassamos com algumas palavras de apoio. Chegamos ao ultimo km, uma dor de viado enorme mas já conseguia avistar a linha de chegada. Meu amigo diminuiu o ritmo um pouco mas eu já sabia a razão, ele queria que eu também diminuísse para arrancar correndo, esperto o garoto, ele já havia feito isso comigo nos tråeinos, não tive dúvidas e sai correndo com tudo, acabei lado a lado com uma dona de casas visivelmente acima do peso, nós dois felizes da vida, na marca de 1h8min. Medalha no peito, 2 laranjas verdes e uma banana que infelizmente caiu no chão na primeira mordida que dei, impossível estar mais feliz e louco para próxima corrida.

    • #Corrida
  • 5 years ago
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por Pedro Cavalcanti

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